Pular para o conteúdo
Plancon Contabilidade — assessoria em contabilidade

Licitações

Por que o demonstrativo é reprovado na habilitação da licitação

Os índices saem da escrituração do exercício encerrado. Por que preparar na véspera não funciona e o que a comissão de licitação identifica.

Publicado em

4 min de leitura

A inabilitação econômico-financeira tem uma característica cruel: ela acontece antes de qualquer avaliação da proposta. A empresa pode ter o melhor preço e a melhor capacidade técnica do certame e não chegar a ser lida, porque o envelope parou na conferência contábil.

E, diferente de outras exigências do edital, esta não se resolve com esforço de última hora. O motivo é estrutural.

De onde saem os índices

O edital não pede faturamento nem declaração de capacidade. Pede índices calculados a partir das demonstrações contábeis do último exercício social encerrado — tipicamente liquidez corrente, liquidez geral, solvência geral e grau de endividamento, com as fórmulas e os patamares mínimos definidos no próprio instrumento convocatório.

Isso significa duas coisas que costumam surpreender:

  1. Os números já existem. Eles são consequência do balanço fechado, não algo a ser produzido para o certame.
  2. O que decide a habilitação de um edital deste ano é o fechamento do ano passado. Quando o edital sai, a fotografia avaliada já está revelada.

O que a comissão identifica

A reprovação raramente vem de um índice pouco abaixo do mínimo. Vem de inconsistência.

Escrituração incompleta ou não registrada. A demonstração precisa vir acompanhada da comprovação de registro e estar assinada por contador habilitado e pelo responsável legal. Documento solto, sem esse encadeamento, não sustenta.

Divergência com o que já foi declarado. As demonstrações apresentadas ao órgão precisam conversar com as declarações entregues ao fisco no mesmo período. Um balanço montado especificamente para o edital tende a destoar — e a verificação cruzada é justamente o que se faz.

Índices calculados com critério próprio. O edital define a fórmula. Aplicar uma variação, ainda que tecnicamente defensável, é motivo de questionamento.

Patrimônio líquido ou capital abaixo do exigido. Alguns editais somam a esse conjunto a exigência de patrimônio líquido mínimo, geralmente em percentual do valor estimado da contratação.

Por que "melhorar os índices" não é ajustar o balanço

Este ponto precisa ser dito com clareza, porque o mercado oferece o contrário.

A composição patrimonial de fato influencia os índices, e parte dela pode ser trabalhada de forma legítima — a estrutura de capital, o perfil de endividamento entre curto e longo prazo, a política de distribuição de lucros, a capitalização de resultado. Todas essas são decisões reais, com efeito real, e todas exigem tempo.

O que não é caminho é alterar demonstração para atingir índice. Além de não sustentar a verificação cruzada, expõe a empresa e o profissional que assina a consequências que vão muito além da inabilitação naquele certame.

A diferença entre as duas coisas é a diferença entre planejamento e falsificação, e ela é grande.

O calendário real do trabalho

Colocando na ordem em que os fatos acontecem:

  • Durante o exercício: a escrituração é feita de forma completa e tempestiva, e as decisões que afetam a composição patrimonial são tomadas com o efeito nos índices na mesa.
  • No fechamento: o balanço é encerrado, registrado e assinado. Os índices que ele produz já são conhecidos.
  • Antes do edital sair: o diagnóstico compara os índices da empresa com os patamares que os editais do setor costumam exigir. É aqui que se sabe se a empresa está habilitada antes de tentar.
  • Com o edital em mãos: confere-se a fórmula específica daquele instrumento, monta-se o conjunto documental e revisa-se item a item.

Quem começa na última etapa está conferindo, não preparando.

Se a inabilitação já aconteceu

O primeiro passo é o diagnóstico: calcular onde a operação está hoje e o que a distância até o patamar exigido representa em termos de composição patrimonial. Em parte dos casos a conclusão é que a empresa atinge os índices e o problema era documental — escrituração não registrada, assinatura faltando, fórmula aplicada de outro jeito. Nesses casos a correção é rápida.

Quando o problema é de composição, o trabalho é do exercício seguinte, e vale começar imediatamente: o próximo certame relevante provavelmente já vai avaliar o balanço que está sendo construído agora.

Onde isso se conecta

A habilitação econômico-financeira é a ponta visível de uma escrituração que precisa ser confiável o ano inteiro. Para operações de saúde que disputam contratos públicos e credenciamentos, ela caminha junto do levantamento de créditos e da apuração de custo por procedimento — os três estão em contabilidade para laboratórios e hospitais.

O trabalho específico de preparação para certames está em adequação contábil para licitações.